29 maio 2011

Serendipity!

Divulgação

Foi bem assim que chegou até meus ouvidos o mais novo trabalho da cantora Déa Trancoso, como um feliz acaso, ou melhor, um Serendipity (2011), nome dado ao disco e de canção homônima que recomenda: “Dê um tempo pras estrelas, faça escolhas felizes, seja feliz, por favor, aqui, em Pequim, onde for”. E de repente tudo foi parecendo fazer sentido, mesmo que num instante, como ‘se o acaso tivesse mesmo me protegido enquanto eu andava por aí distraído’. Como é da minha natureza espiritual crer no enredado do destino, senti de longe a força desse abraço duplo com a alegria do Rio e a simplicidade de Minas.

O disco ainda está em trabalho de finalização. O que recebi, na verdade, foi um material de divulgação distribuído durante a curta temporada da cantora no projeto Caixa Cultural, no Rio de Janeiro, que aconteceu nos dias 13 e 14 de maio e que, segundo ela, “foi um presentinho distribuído para o público presente como forma de compartilhar uma intimidade musical que geralmente os artistas não compartilham”. Mais completo e com projeto gráfico cuidadoso, construído a partir da narrativa em torno de cada canção, valerá à pena esperar pelo resultado final.

Quem conheceu Déa pelo elogiado Tum Tum Tum, originalmente lançado em 2006, indicado em 4 categorias ao Prêmio Tim de Música de 2007 e relançado em 2010 pela gravadora Biscoito Fino, não vai encontrar uma continuidade deste primeiro trabalho que apresenta um mosaico de temas folclóricos, onomatopeia de tambores e do pulsar vibrante dos ritmos e da cultura musical do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, resultado de uma pesquisa de 12 anos da artista. Por outro lado, o novo trabalho é resultado da troca de experiências musicais adquirida em 16 anos de carreira cantando pelo vasto mundo de deus, com artistas tão diversos quanto singulares, como Naná Vasconcelos, Egberto Gismonti, Cláudio Nucci, Badi Assad, Chico César, Tavinho Moura, Ceumar, André Siqueira, entre outros.

Serendipity não quer dialogar com o corpo. Exige estado de contemplação, pausa e silêncio. Não foi feito para ouvir em multitarefas e não se propõe tocar em rádio. Quer tocar a alma e a memória dos afetos. Precisa da mesma paciência de quem reza um terço, costura bordado, lapida artefatos. E se você aceita parar um pouco para ouvir o que ela tem para cantar, é levado pela voz, com carinho, para o seu mundo particular, bebendo da mesma água serenada, fazendo oferendas de flores para Iemanjá, viajando no trem mágico do som das Gerais, teando tramas de afetos no peito, aconchegndo-se no colo do amor, evocando entidades africanas, percorrendo harmonias tão complexas quanto o mistério da vida que amanhece divina e até mesmo sonhando com ilhas gregas ao lado do Olimpo. Repito: tudo isso requer pausa na respiração e transcendência.

Enquanto o disco finalizado não chega, compartilho com vocês uma das músicas presentes no álbum e que demonstra bem tudo o que tentei expressar para vocês em palavras.


Bordado, parceria com Chico César, em versão gravada para o programa Vozes do Brasil.

3 comentários:

  1. Ahhh minha palavra favorita, tatuada no corpo... tem me trazido tantos acasos felizes que não pode ser mera coincidência!!! Amei este post, amei a música!!!

    Beijos

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  2. du! que legal tu ter essa palavra tatuada!!! tu mora onde?
    beijo seu coração...

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A canção segue a torcer por nós. Milton Nascimento