09 março 2011

Ai, Tarantino!


Foto: Coluna Alex Palhano, jornal O Imparcial

Como um vento buliçoso, levantando a saia das meninas, desalinhando os cabelos, revirando as páginas dos livros e fazendo as pipas dançarem no céu, Bruno Batista passou pela Ilha (São Luís) trazendo novidades. No cofo paulistano, veio trazendo canções do mais novo álbum Eu não sei sofrer em inglês, que será lançado em abril pela YB Music e já pode ser ouvido no Soundclound do compositor. No papo das cucas maravilhosas, não se fala em outra coisa.

Bruno tem a competência dos bons letristas e resgata a força da canção na música brasileira, sem querer levantar bandeira de tradição. Em cada letra, é inevitável a comparação com outros três compositores no jogo de palavras e referências: Chico Buarque, César Teixeira e Zeca Baleiro. Mas isso é coisa dos meus ouvidos, talvez ele até ache graça da ideia.

Foi na voz da cantora Cecília Leite - que me lembra muito o trabalho de Lucinha Lins - que ouvi pela primeira vez a obra dele. Era tudo novidade até então. A ideia da jornalista que se arriscava como cantora no mercado do Rio de Janeiro, com um disco refinado, produzido pelo maestro Leandro Braga, bem aceito pela crítica e que tinha um repertório composto de canções de artistas já consagrados, como Chico Buarque, Tom Jobim, Gilberto Gil, João Donato, Edu Lobo e os maranhenses César Nascimento, Antônio Vieira. No meio deles, estava o nome de Bruno Batista, que tinha a missão de trazer contemporaneidade ao trabalho da intérprete já na primeira faixa do disco, Já me basta. Ainda assim, a força da canção do jovem compositor ainda não tinha gerado afeição em mim, mas serviu para eu ficar curioso.

E não há nada melhor do que ouvir o próprio compositor interpretando suas canções. Na voz anasalada e dicção malemolente, Bruno imprime a marca daquilo que suas letras querem dizer. Mais um critério de comparação com Chico (Buarque). Teimosia minha em não querer tirar o pé da chatice crítica de rotular um gênero e ainda resquício do programador musical que buscava contar narrativas sonoras pensando na música brasileira como um divertido jogo de quebra-cabeça.

De 2005 para cá, ele vem experimentando novas cidades, novas pessoas, novas parcerias. O segundo álbum tem a assinatura dos produtores Guilherme Kastrup (ouça Bruno Morais e Andreia Dias) e Chico Salém (ouça o disco Qualquer, de Arnaldo Antunes), com as participações de Zeca Baleiro, Rubi, Juliana Kehl e Tulipa Ruiz. Em apenas três sessões de estúdio, gravou o disco junto com os músicos Gustavo Ruiz, Marcelo Jeneci, Estevan Sinkovitz e Márcio Arantes, à moda fast-music dos paulistas. Além disso, também tem produzido composições para musicais de teatro e não tardará a experimentar o mercado das trilhas sonoras.

Pras bandas de cá, Bruno é cobiçado pelas novas cantoras que buscam a inteligência de quem sabe dizer o que elas querem cantar, fugindo da sombra caquética do que se compreende como emepê-eme e com o tesão de colocar luz e novidade no que já se cansou de ouvir. Lena Machado fez isso no seu primeiro álbum, gravando a música Acontecesse. Tássia Campos também já fisgou uma canção e faz surpresa para quando for sua vez de se mostrar.

Enquanto isso, nos alto-falantes, o quase tango Tarantino, meu amor ressoa na cidade, com direito a gemidos e guitarras, e, daqui, vou contando os dias de março para que abril chegue logo e a gente possa aplaudir em cena as canções de Bruno Batista em qualquer palco de qualquer lugar.

Salve Bruno Batista!

4 comentários:

  1. vou repetir aqui um frase do Paulo Pellegrini que resume bem issaí:
    "Bruno Batista é o melhor letrista da nossa geração".

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  2. Como faz pra ouvir gnt, to curioso!

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  3. Pedrinho, clica no link em negrito "SoundClound" que ele direciona para a página de Bruno Batista.

    Quero um texto teu aqui.

    Cheiro!

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A canção segue a torcer por nós. Milton Nascimento