03 junho 2010

EP - Djalma Lúcio


Foto: divulgação


“O rock no Brasil sempre esteve entremeado ao gênero MPB”.

A afirmação é do pesquisador Eduardo Vicente que disse isso na sua palestra durante o II Musicom que aconteceu semana passada na UFMA, aqui em São Luís. E eu concordo com ele. Desde o nosso Raulzito até a explosão de grupos juvenis, apelidada por radialistas de “rock brazuca”, os músicos todos que constituíram banda pelas décadas de 70 e 80 e se intitularam roqueiros tiveram e têm como influências musicais ao menos um artista da MPB. Os nomes mais expressivos deste gênero também têm em seu registro discográfico ao menos uma música com sonoridade rock.

Djalma Lúcio é jovem e fez-se reconhecido na cena pop-rock maranhense por meio da banda Catarina Mina, que em formato violão, baixo e bateria produziram um som que inseria São Luís no cenário pop nacional com a mesma qualidade sonora de bandas nacionais, porém sem a divulgação possível para que a banda se projetasse para além dos limites da ilha. Durante o início dos anos 2000, que tanto confundiu nossos sentidos com a velocidade da tecnologia na difusão da informação, eles – Catarina Mina – fizeram shows underground, gravaram clipe e fizeram do palco do Teatro Arthur Azevedo sua vitrine em um dos shows a la White Stripes, com toda hipérbole possível.

A banda parou. Cada músico continuou com seus projetos em outros trabalhos. O jovem vocalista foi experimentar o que o Rio de Janeiro podia lhe oferecer como ponto de encontro para formação profissional e troca de experiências. Voltou. Apresentou-se com agrupamentos de jovens que atualmente movimentam a cena musical na capital do Maranhão. Refez seu sotaque, refez suas sonoridades e quer experimentar novos timbres e parece querer desvincular um pouco mais seus resquícios de banda pop.

Mas como eu disse antes os anos 2000 confundiram nossos sentidos e os gêneros cada vez mais se tornam difusos. Djalma comunica bem essas novas sonoridades com a nova banda que formou e que leva seu próprio nome numa forma de autorretrato musical. Ele já compartilha na web, desde janeiro, via youtube, blog, twitter e myspace, fragmentos do seu processo criativo e formatação daquilo que será seu álbum pré-intitulado como “EP”. O som agora soa mais limpo e minimalista. Talvez Caetano e seus Cês e Zês tenham lhe despertado um novo caminho que sempre estiveram com ele. A videoarte “Não Quero Dançar” já é uma boa pedida.

Vamos apostar no som deste artista que está atento aos seus pares, ao seu tempo e também guarda um baú sonoro de referências musicais que já estão na discoteca de todos nós. Até o álbum ser lançado, talvez tenhamos aqui alguma explicação do que vem a ser mesmo “EP”, que eu mesmo não faço a mínima idéia.

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A canção segue a torcer por nós. Milton Nascimento