13 novembro 2011

charmoso bruno


foto: divulgação

achei charmosa a intenção de escrever sem maiúsculas para falar do charme que foi o show eu não sei sofrer em inglês, do compositor bruno batista, aqui na ilha maranhense, na mesma sexta cabalística que alvoreceu comentando e tuitando tanto sobre uma nova era, quando até a lua se fez mais bonita e arriscou palpite de que a noite prometia qualquercoisa haver com o paraíso.

citar o paraíso é hipérbole. o show não teve nada de tão mágico ou misterioso. nem anjos, nem arraias sobrevoaram o espaço do teatro arthur azevedo. havia sim a sensação de contemporaneidade que a música de bruno transmite, pelo arranjo e pelas influências diretas, de zeca baleiro a marcelo jeneci.

neste show,  ele trouxe apenas o violão e músicos competentes, como marcelo castilha (piano, teclados e acordeon), zé nigro (baixo), rovilson pascoal (baixo) e chico valle (bateria), orquestrados por guilherme kastrup (percussão), cumprindo sua responsabilidade afetiva para com a cidade, amigos e simpatizantes.

houve expectativa pela sonoridade da banda ao vivo, que no disco registrou arranjos coerentes esteticamente com a nova cena musical paulista. houve expectativa sobre as participações, sobretudo do cantor cláudio lima, contemporâneo de bruno, que não tem aparecido ultimamente nos palcos daqui, nem nas mesas de bar.

expectativas produzem inquietações, e, talvez, de forma consciente ou não, bruno soube conduzir o show com o poder de seu charme: sorrindo timidamente quando o microfone não funcionou logo na primeira canção, mandando beijos para a mãe na plateia e até cumprindo tabela quando o casal criolina atrasou para subir ao palco.

a julgar pelas boas críticas sobre o disco, era para ser um show mais contagiante, coisa que não aconteceu. mas, particularmente, saí do teatro como uma inquietação de outra natureza, da estética que a música de bruno persegue e que ficou mais evidente na opção dele em dialogar com nossos ritmos nordestinos e em releituras de canções do primeiro álbum.

o show não encerra a experiência com a obra do artista, na verdade, amplia os sentidos. e promessa nem sempre é dívida. charme não significa perfeição. e o 'paraíso' pode estar escondido até mesmo num recanto da praia grande, ‘ao som do mar (do reggae) e à luz do céu profundo’, como opção também charmosa de experimentar o fim de noite após qualquer espetáculo na cidade.

pra quem ainda não ouviu falar do tal bruno batista, acesse aqui o soundcloud do artista.




(clique também nos links para ouvir as referências sonoras que estão no texto)